Liberdade não é direito natural

Liberdade não é direito natural

Olá Terráquios! Muito legal observar o comportamento humano aqui do espaço. Vocês ‘ririam muito’ se estivessem do meu lugar 🙂

Os gregos da antiguidade acreditavam que todo o universo era finito e ordenado. Eles acreditavam que os Deuses conseguiram projetar tudo para que o desenvolvimento dos seres humanos (e também de outros seres) fosse possível.

Os gregos acreditavam também que cada ser humano tinha uma missão na terra. Por exemplo: Neymar – o jogador de futebol – foi feito para jogar futebol. Ele tem boa habilidade com as pernas, corre bem, tem percepção geoespacial e física destacadas. Além disso ele deve gerar entretenimento para os demais seres humanos.

Já outros seres humanos possuíam, na visão grega, outras capacidades. Alguns conseguiam explorar estas capacidades e ser o que eles tinham que ser; e outros não. Quando o ser conseguia alcançar o que ele haveria de ser para o mundo, dava-se o nome de Eudaimonia.

É!… Nem todos eram capazes de alcançar a eudaimonia.

A vida é um direito natural

No prólogo comentei sobre como os gregos observavam a vida. Nos dias de hoje a análise mais comum difere em muito da análise grega, mas ouso trazer a mesma percepção adaptada para os dias de hoje.

A vida é, para os religiosos, uma dádiva, um presente de Deus. Para os não-religiosos ela é igualmente relevante, mas não atribuem a ninguém o ônus da criação. Ambos entendem que a vida é algo sofisticado e, de certo modo, superior às simples capacidades humanas.

Para a biologia seres vivos são aqueles que são de espécies com capacidade de nascer, crescer, reproduzir e morrer. Pedras não vivem: Humanos vivem.

Não existe lei do homem que dê alguém o direito de viver. Esta lei está acima do homem, uma vez que quem define já vive e todos os afetados, todos, também vivem, reproduzem e morrem. Quando leis humanas dizem isto, elas apenas destacam uma obviedade, completamente desnecessária.

Viver é sinônimo de relacionar-se com a natureza

Viver também significa manter-se vivo. O ser humano, por exemplo, possui um aparato biológico pronto para a manutenção da vida chamado Instinto. Sobre instinto estou falando de fome, sede, medo da morte, libido, etc. Tudo isto serve, naturalmente, para manter a vida em funcionamento.

Mas isto é pouco. A vida se dá na relação do vivente com a natureza. Veja bem, natureza são as árvores, os rios, os animais, o planeta, as estrelas e o próprio ser. Tudo isto junto é a natureza, não excluindo ninguém. Observo que o ser humano, quase sempre, se esquece disso.

Quando um ser faz uma fogueira para espantar animais peçonhentos, ou para se aquecer, ele mantem sua vida. Quando bebe água, quando caça, quando pesca, etc. Manter a vida é utilizar de suas faculdades – de suas capacidades -, junto à natureza. O ser transforma a natureza para facilitar a manutenção da vida.

A liberdade consiste na capacidade de poder utilizar suas faculdades para aprimorar sua relação com a natureza e reduzir o esforço de adquirir recursos para manutenção de sua vida. Ser livre é poder utilizar suas faculdades para manter sua sobrevivência. Ser livre é poder trabalhar.

Qual é o produto da minha relação com a natureza?

Quando um ser interage – através de suas faculdades – com a natureza ele cria produtos, para manutenção de sua vida. Existem produtos tangíveis – cadeiras, mesas, flechas, comida – e produtos intangíveis – histórias, ideias, planos, engenhos.

Uma cadeira é o resultado da liberdade de um ser em utilizar suas faculdades para manter-se vivo. Além disto a liberdade de construir/adquirir uma cadeira é resultado do fato do ser estar vivo.

Ou seja, é indissociável o fato do ser criar coisas com sua liberdade para manter-se vivo. De certo modo é verdade que vida, liberdade e propriedade são as mesmas coisas. Pena que não existe um termo que, sozinho, signifique as três coisas. Ou existe?

Como o próprio ser humano reduz a vida de outro?

Se concordamos que a vida, a liberdade e a propriedade são as mesmas coisas, precisamos entender quais reduções da vida são possíveis. A escravidão é a redução direta ao direito a vida: A propriedade de si mesmo é entregue a outrem .

Os impostos, o trabalho forçado são reduções do direito a liberdade – o direito ao livre exercício de suas capacidades para manter sua vida. Já o roubo, a espoliação, a expropriação, o furto e, novamente, o imposto, são reduções do direito à propriedade. Tudo isto são reduções do direito natural à vida.

Abraços Terráquios!

 

 

 

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Karnal, Cortella e Clóvis

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Olá Terráquios! Peço Vênia aos colegas liberais, conservadores e libertários que criticam Cortella, Karnal e Clóvis. Claro que a crítica é fundamental. Aliás, crítica, vem do grego, kritike com variantes como kritereom. Este nome era dado ao processo de separação de elementos parecidos, como a separação do joio do trigo. Esta expressão dá origem a palavras como critica e critério. Criticar não é falar mal, é evidenciar. Aprendi com o Cortela =)

Aprendi também que o pecado mais fundamental é o orgulho; e aprendi que a inveja é a base do Evangelho segundo Marx. Foi uma ladainha de umas duas horas. Infelizmente não assisti a todas as ladainhas. Por acaso quem me ensinou a inveja foi Karnal. No mesmo simpósio, Pondé falou sobre Luxuria, ainda na curadoria de Karnal.

A base do meu conhecimento sobre política, a dinâmica das massas, a organização dos gatekeepers sociais; além de um curso profundo de ética, que até fala de modelos marxistas que, por muita vezes é consequencialista pragmático, e por outras consequencialista coletivista. Foram dois cursos que fiz com o Clóvis.

Assisti várias aulas do Karnal ou do Clóvis que, por exemplo, eles se contradizem de propósito, para evidenciar a conclusão óbvia da platéia. Tenho notado que hoje, com os 3 sendo mais POPs (o Cortella já é a alguma tempo), um monte de gente compartilha pequenos trechos de vídeos no facebook achando-se capazes de reduzir esses caras a um rótulo. Caindo nessa armadilha vocês estão sendo tão totalitários quando a esquerda que vocês tanto falam mal.

Abraços Terráquios!